Toda escrita é porcaria. Toda gente literária é porca. Especialmente essa do nosso tempo.

Todos aqueles que têm pontos de referência no espírito, quero dizer, de um certo lado da cabeça, sobre lugares bem demarcados de seus cérebros, todos aqueles que são mestres da sua língua, todos aqueles para os quais as palavras têm um sentido, todos aqueles para quem existem altitudes na alma e correntes no pensamento, aqueles que são o espírito de sua época, e que nomearam essas correntes de pensamento; penso em suas necessidades precisas, e nesse ranger de autômato que espalha a todos os ventos o seu espírito,

- são porcos.

Aqueles para os quais certas palavras têm um sentido, e certas maneiras de ser, aqueles para quem os sentimentos têm classes e que discutem sobre um grau qualquer de suas hilariantes classificações, aqueles que ainda acreditam em “termos”, aqueles que remexem as ideologias em alta na época, aqueles de quem as mulheres falam tão bem e essas mulheres também, que falam tão bem, e que falam das correntes da época, aqueles que ainda crêem numa orientação de espírito, aqueles que seguem vozes, que agitam nomes, que fazem gritar as páginas dos livros,

- esses são os piores porcos.


Antonin Artaud




DOWNLOAD: CYPRESS HILL -
LOS GRANDES ÉXITOS EN ESPAÑOL - 1999 - 224 Kbps

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1 Comments:

At 18 de agosto de 2008 às 00:28, Anonymous Anônimo said...

palavras de um louco imbecil... tentativa frustrada de auto-anulação... no fundo, é somente mais um pobre coitado gritando na frente do espelho, fazendo micos e se contorcendo em espasmos sem sentido... não sei mais o que pensar de Artaud, inegavelmente um dos meus grandes mestres e dos autores que mais me influenciaram, porque, com sua demolição da razão e da linguagem verbal, ele me abriu os caminhso para a mística da contemplação absoluta com o Nada... e nesse nada, nessa matéria fecal de nulidade, eu encontrei os ventos novos, e as inspirações do Ser, as pedras giratórias, e o bestiário maravilhoso das noites de lua cheia, e o grande crepúsculo no orvalho do pensamento, e os barros cristalinos e as massas de argila translúcidas... salve Artaud! o mais místico dos surrealistas!

 

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