Se executamos ações sem conhecer as suas causas, condições ou efeitos, passamos a ser causa, condição e efeito das ações de outros. E quanto mais ignoremos que os donos das nossas ações são outros, tanto mais nossos donos esses outros serão.

Falar é uma das ações mais freqüentes. E a maioria das afirmações que se faz ao falar é falsa. Por exemplo, muitos trabalhadores e empregados dizem: "o dinheiro gera riqueza", ainda que não seja o dinheiro que gere a riqueza, mas sim eles próprios. Ao dizerem-no, estão repetindo o que ouviram. "Ponha o seu dinheiro para render conosco", proclamam os bancos insistentemente. Onde foram aqueles que verdadeiramente trabalham buscar esta idéia que põe o mundo às avessas, apresentando as coisas ao contrário do que são?

O efeito de apresentar assim a questão da produção faz com que os trabalhadores atribuam, na lógica da produção, mais importância ao capital do que a si mesmos, ainda que sejam eles quem produz o capital. O efeito é esta condição de modéstia e humildade induzidas, atributos dos escravos, da mentalidade submissa.

Os habitantes das grandes cidades mostram aos seus visitantes os maravilhosos arranha-céus e os mais recentes edifícios "inteligentes" dos bancos e consórcios empresariais. Apontam para eles com orgulho e falam deles como se fossem seus. Mas a realidade é que são propriedade privada de uns poucos negociantes multimilhonários que com os seus edifícios prodigiosos expulsam esses mesmos habitantes para as periferias.

Os trabalhadores e os assalariados e empregados têm de ir para os subúrbios porque o Estado protege os especuladores imobiliários. Hoje em dia, os trabalhadores deixam mais de um décimo da sua vida no transporte para o local de trabalho. Os expulsos estão orgulhosos da propriedade de quem os expulsa. Não aprenderam a estabelecer as relações entre as diferentes informações, a contextualizá-las. Consideram, aliás, imutável e inelutável a sua situação.

Para que a população aceite esta situação é necessário, está claro, um esforço enorme para mantê-la desinformada, para convencê-la que não existe alternativa, para a manter material e espiritualmente submissa. Os líderes espirituais, os formadores de opinião, desde a
intelligentsia vendida até o papa, sabem que é mais fácil enganar uma população pouco e mal informada, do que uma outra, ilustrada.



Vicente Romano, em A Formação da Mentalidade Submissa




DOWNLOAD: MEDESKI, MARTIN & WOOD - LET'S GO EVERYWHERE - 2008 - VBR
http://www.badongo.com/file/7828744

2 Comments:

At 18 de agosto de 2008 às 15:39, Anonymous Anônimo said...

O valor da natureza não é equivalente ao valor-moeda...

O que é de Deus não têm comparação com o que de César...

O valor da terra, da água, da vida das pessoas, das plantas, não é equivalente, não se troca, com um valor abstrato (joguinho matemático) inventado pelos seres humanos...

A semente de uma planta é um valor Divino que não tem comparação nem com um bilhão de dólares...

A consciência não se troca, não se compra, não se vende... A dignidade é inerente ao ser humano. Não importa a "classe social". Não importa o capital. Não importa a profissão. Não importa o salário.

A Mãe-Terra não tem preço...

Dinheiro não vale nada, não tem valor... o "valor de troca" atribuído ao dinheiro admite, como pressuposto, que a vida, a natureza, o trabalho humano, podem ser comparados e trocados, como equivalentes, por uma quantidade abstrata de "valor-moeda", como se o valor inerente à vida fosse uma mercadoria que se troca... isso é uma ilusão...

O valor da vida, da existência, do trabalho, é irredutível ao "valor de troca", não se mede por uma quantidade abstrata de dinheiro...

Confundir o valor sagrado da vida com um "valor de troca" é engano e ilusão...

O valor de uma planta, um animal, uma pessoa, o valor de tudo o que é vivo, o valor da poesia, da religião, da música, não tem comparação, não tem equivalência com uma quantidade de dinheiro...

 
At 23 de setembro de 2008 às 06:33, Anonymous Anônimo said...

Eu conheço o lugar dessa foto...

 

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