Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, agüentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.


Guerra Junqueiro, 1896.





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2 Comments:

At 11 de agosto de 2008 às 11:50, Anonymous Anônimo said...

o povo é lixo a ser reciclado, é coisa gasta, objeto usado, mercadoria exposta?

o povo é um produto?

Mas Guerra Junqueiro não diz "o" povo, ele fala "um" povo. Ora, qual povo?

Somos todos nós, todos os brasileiros, ou serão todos os latino-americanos, ou será toda a humanidade? Qual povo é este que se refere Junqueira? Serão somente os miseráveis, o povo da rua, da favela, que come e vive no lixão?

Seja o que for este povo, o discurso que o descreve é exatamente igual ao da fotografia acima, ou seja, um olhar de cima, do alto, um ponto de vista "superior", que olha para os de "baixo" com a fria arrogãncia de sua "cultura", sua "erudição", seu "diploma"...

esse tipo de discurso é incapaz de verdadeiro diálogo, esse tipo de fotografia é incapaz de encarar de frente o problema...

dircurso covarde que se coloca num "ponto arquimediano" somente para insultar o outro, o "pequeno", o "fraco", desprezar "um povo" visto como separado de si mesmo, distante, fora dos salões e palacetes que se erguem para o céu...

 
At 14 de agosto de 2008 às 01:55, Blogger ReeBee said...

grand compose ! ! !

 

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