A saúde do planeta definha enquanto a linguagem oficial oculta as responsabilidades ao proclamar: "Somos todos responsáveis".

Toda a humanidade paga pelas conseqüências da ruína da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento das águas, do enlouquecimento do clima e da destruição dos recursos naturais. Entretanto, as estatísticas revelam que apenas 25% da humanidade comete 75% dos crimes contra a natureza. E se compararmos o norte ao sul, cada habitante do norte consume 14 vezes mais papel e 13 vezes mais ferro e aço. Cada norte-americano lança para o ar, em média, 22 vezes mais poluentes que um indiano e 13 vezes mais que um brasileiro.

As empresas com mais sucesso são também as mais eficazes contra o nosso planeta. Os gigantes do petróleo, os aprendizes de feiticeiro da energia nuclear, a biotecnologia e as grandes empresas que fabricam armas, aço, alumínio, automóveis, pesticidas, plásticos e muitos outros produtos sabem bem derramar lágrimas de crocodilo pela natureza. No entanto, estas empresas são as que mais dinheiro ganham com a ruína do planeta. São também as que mais dinheiro gastam: na publicidade, que converte a contaminação em filantropia, e nas ajudas aos políticos que decidem sobre o futuro do mundo.

O economista Lawrence Summers, doutorado em Harvard e elevado às mais altas hierarquias do Banco Mundial, propunha, num documento para uso interno da instituição (que por descuido foi tornado público) a migração das indústrias sujas e dos desperdícios tóxicos para os países menos desenvolvidos. Elencavam-se 3 vantagens como justificativa: os salários raquíticos, os grandes espaços (ou seja, ainda muito por contaminar) e a precariedade da saúde das populações pobres, que têm o hábito de morrer precocemente por outras causas. A divulgação deste documento provocou algum alarido: estas coisas fazem-se, mas não se dizem. Mas Summers, afinal, tinha apenas cometido a imprudência de expressar no papel aquilo que o mundo já há muito tempo vinha fazendo: transformar o sul numa lixeira do norte.

O que está mal no norte, está bem no sul; o que no norte está proibido, é bem-vindo no sul.
Pelo sul estende-se o reino da impunidade.


Eduardo Galeano



DOWNLOAD: THE HAGGIS HORNS - HOT DAMN! - 2007
http://www.badongo.com/file/12180115

5 Comments:

At 6 de setembro de 2008 às 21:34, Anonymous Anônimo said...

é um absurdo dizer que a poluição do rio Tietê é causada pelo "imperialismo norte-americano".

Os problemas ambientais que existem no Brasil não podem ser irresponsavelmente atribuídos aos Estados Unidos.

Fazer isso é vigarice intelectual.

Não se iludam com o discurso dos esquerdistas, dos comunistinhas, que querem a todo custo nos fazer acreditar que a raiz dos nossos problemas não parte de nós mesmos.

 
At 8 de setembro de 2008 às 13:53, Anonymous Anônimo said...

Leandro Pinto, ficaste sabendo da polêmica que houve entre a Usp e a Monsanto? Informa-te e verás que chegamos a tal ponto no mundo que a culpa sempre cairá sobre os donos dele, os que querem em tudo tirar benefícios, eles estão por trás de tudo e, se não acreditas, busque o caso recente indicado.

 
At 8 de setembro de 2008 às 20:51, Anonymous Anônimo said...

o "anônimo" acredita que existam os "donos do mundo", e imagino que para ele estes "donos do mundo" são as "grandes multinacionais" protegidas pelos Estados Unidos da América, o grande vilão.

ora porra.

Vai chupar pica de cumunista, vai dar o rabo pra esquerda uspiana...

 
At 9 de setembro de 2008 às 06:42, Anonymous Anônimo said...

Tu deverias te informar, somente isso, depois engolirias tuas palavras.

 
At 9 de setembro de 2008 às 19:34, Anonymous Anônimo said...

"eles estão por trás de tudo"...

a figura anônima poderia me dizer a quem você se refere?

as potências que pretendem controlar o mundo hoje são no mínimo 3: o globalismo financeiro, a esquerda internacionalista, o terrorismo muçulmano... todas elas tem um projeto de controle global e também se misturam de acordo com as conveniências do momento... mas o que há em comum entre elas é principalmente a falta de uma identificação nacional, isto é, não se enraízam em nenhum Estado-nação em particular...

banqueiros, comunistas, terroristas, narcotraficantes, feministas, gaysistas, abortistas, ecologistas, toda essa gente não tem pátria, ou ainda, não se limita a um território nacional, são forças desterritorializadas de poder que pretendem a hegemonia global.

pra mim essa gente é tudo MERDA
MEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRDA!

 

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