CONTRA A UNIVERSIDADE

Desde há bastante tempo tinha vontade de escrever algo sobre a Universidade, as universidades, essa poderosa instituição tão pouco conhecida no seu funcionamento interno. Das universidades saem os líderes políticos, os professores, os juristas, economistas, doutores...: praticamente todo o tecido de grupos e interesses que mantém a sociedade de classes.
Lealdade. O objetivo principal da Universidade não é contribuir para a formação intelectual das pessoas nem fazer pesquisa para criar, promover e distribuir um "saber" supostamente neutro que ajudará ao "progresso". O "saber" é simplesmente o veículo simbólico que maneja a instituição. O objetivo da Universidade é contribuir para manter os pressupostos ideológicos do Estado, sustentar a sociedade de classes e libertar o aparelho militar de certas das suas funções. Por isso a universidade precisa dum tipo de lealdade (também militarista) camuflada sob os amuletos ideológicos da "pesquisa", a "tradição disciplinar", as "escolas de pensamento", a "missão da Ciência", etc. O que está em jogo é a formação de elites técnicas e intelectuais leais ao Estado, mas dum modo que ao mesmo tempo ofereça aos membros dessas elites a miragem internamente cômoda da "liberdade de expressão", "liberdade de cátedra" ou "liberdade de pesquisa".
Mediocridade. Mas para os membros destas elites, em conjunto, o que está em jogo no fundo não é a "qualidade" dessa pesquisa, nem as suas metas, interesse objetivo, transcendência universal ou "nacional", etc. O que está em jogo é, singelamente, um posto de trabalho melhor remunerado do que a média do país, uma série de recursos econômicos (bolsas de pesquisa que permitem realizar viagens profissionais, fundos para equipamento, grandes projetos), e uma série de recompensas simbólicas: reconhecimento público, visibilidade, pelo menos um minuto de TV dos 15 de que falava Warhol, prestígio social, ou essa auto-satisfação de "sermos escutados" nas aulas ou de "sentirmo-nos úteis" que apaga temporariamente a nossa mediocridade generalizada. O professor ou professora de universidade típico é um ser medíocre, sem imaginação, rotineiro, conservador (quando não patentemente reacionário), medroso das mudanças, inseguro - e por isso distante dos alunos e colegas de profissão -, zeloso da propriedade das "suas idéias", insolidário com os "inferiores", competitivo com os "iguais" e submisso aos "superiores". O objetivo final do professor típico é chegar "o mais alto" que puder consoante às suas capacidades e, sobretudo, consoante à rede de alianças pessoais e de grupo que possa ter criado em anos de manobras incertas. Grande parte da vida universitária perde-se então, não no "cultivo do pensamento" ou da técnica, mas em críticas pessoais, burocracia, traições e o estabelecimento das lealdades necessárias para progredir. Periodicamente, numa mímese dos parlamentos políticos, o corpo professoral e os manipulados estudantes votam democraticamente os seus Altos Cargos para que tudo fique igual.
Rivalidade. O longo processo para a reprodução da elite universitária começa já no primeiro ano de estudos. Como instituição gremial, é já nessa altura que os alunos mais adaptados começam a compreender os protocolos do jogo. Eles (e, menos, elas) são os que substituirão os seus mentores. É aí onde começam a perceber as injustiças das notas, as arbitrariedades do cômputo quantitativo do "saber" (um "saber" que deveria estar, por definição, sujeito ao seu derrubamento pela História), as teimas e graças dos professores, as suas inconfessadas preferências pessoais e os seus inconfessados aborrecimentos. Muitos alunos escolherão assim as matérias optativas em virtude das graças do professor ou professora ou da sua generosidade com as notas (muitas vezes falsa, demagógica). Como reprodução da estrutura familiar, cada aula fornece diariamente um Pai ou uma Mãe e muitos filhos e filhas dos quais sairão os favoritos: aqueles que conhecem já desde o início as leis, regulamentos, oportunidades de avanço profissional, esquemas de afiliação. Os poucos jovens clarividentes que querem escapar a esta tortura auto-imposta costumam acabar sem trabalho, ou com maus trabalhos, e perenemente frustrados da sua experiência. Ao final de quatro ou cinco anos repete-se o infortúnio massivo que, embora conhecido, precisa ser lembrado: milhares de jovens acabam transmudados em pequenas fotografias, uniformes e uniformizados, simetricamente dispostos e dispostas no Museu do Desemprego, com um sorriso forçado e um vazio ainda maior na cabeça.
Dominação. Onde fica o "saber", a circulação das "idéias", a altruísta exploração do pensamento? Fica na falsa superfície deste sistema injusto, opressor e mesmo doente. O saber fica como simples escusa da maquinaria da dominação. O motor e objetivo da Universidade é singelamente a distribuição grupal dos recursos materiais e simbólicos, a distribuição do poder. Como um engenho do movimento perpétuo, a Universidade reproduz a si própria para refinar o princípio patriarcal da obediência, base da moral e da estrutura capitalista de classes. E a cada poucos anos, como no Mundo Real, a Universidade recria-se, fagocita alguns dos seus próprios filhos e filhas, e vota, democraticamente, os seus próprios líderes, os seus próprios monstros.
Celso Álvarez Cáccamo
DOWNLOAD: RACIONAIS MC'S - RAIO X DO BRASIL - 1993 - 128 Kbps










7 Comments:
Mas quem é esse imbecil, essa anta, esse débil mental de Celso Álvarez Cáccamo?
Realmente, me deixa pasmo, boquiaberto, um sujeito dizer tanta merda, tanta idiotice, não conseguir escrever um único parágrafo que preste, e ser assim tão burro, tão idiota, tão cretino.
Um saudoso viva às Universidades!
Um feliz viva ao Estado brasileiro e ao Povo do Brasil!
Parabéns professores universitários pelo nobre, belo e digno compromisso com a educação!
Abaixo os anarquistas!
Não é possível, eu li novamente o que o Cáccamo escreveu, não acredito num parágrafo do que ele escreve...
Para mim, o que ele diz não passa de propaganda mentirosa e deturpação do que seja uma Universidade....
Se ele diz o que diz ou é porque é um mentiroso, ou um ignorante que não conhece o que seja uma verdadeira Universidade...
Outra hipótese é que ele realmente conheça uma determinada universidade, bastante medíocre, e baseado em seu limitado conhecimento, considere que todas são iguais, fazendo uma generalização que não corresponde à realidade...
Mas, no fundo, eu creio que esse cara não sabe, não tem a mínima noção, do que está dizendo...
"Conheço a universidade desde 1975, quando começara os meus estudos de Filologia na de Compostela. Logo, passei (e sofrim) polas universidades de Barcelona, Buffalo (Nova Iorque), Berkeley (Califórnia), e agora Corunha, onde sou professor de linguística"
http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/sr083.htm
Que engraçado, esse caipira diz assim: "conheço a universidade" - o que evidentemente, para um professor de lingüística, deveria significar o conceito, a idéia, a visão da Universidade, genericamente falando, e não se referir a casos particulares. Entretanto, esse caipira, que diz "A" universidade, apelando portanto a um conceito universal, comete o erro primário, de aluno de quinta série, de pretender fundamentar a realidade desse conceito genérico a partir de fatos concretos específicos, de universidades particulares.
Ora, porra, haja saco para ouvir essa comunistada anarco-não-sei-que, tão burra que não se dá conta que inferir um conceito geral a partir de casos particulares é distorcer e forjar uma pseudo-realidade que não existe...
Por exemplo, extrair um conceito geral de Homem a partir das idiossincrasias pessoais de dois ou três indivíduos particulares não é de modo algum encontrar o que seja a essência do Homem, isto é, o caso particular é irredutível à universalidade...
Falar em termos universais, utilizar conceitos abstratos que não se baseiam diretamente em casos específicos, é uma atividade heurística da filosofia, uma construção de conceitos e não uma dedução baseada em fenômenos coletados empiricamente aqui ou alí...
Quando um filósofo se arrisca a pensar em termos universais ele deve ter a consciência de ser, neste momento, um construtor de "universais", ou seja, um idealizador que, mediante abstração (e não baseado em fatos empíricos), lança uma hipótese, que pode se tornar uma tese, a respeito de uma determinada estrutura regional da realidade.
Mas porque apelar para a universalização? Ora, todo o esquerdismo, filhote de Hegel e do positivismo, pensa nos termos de universalizar a "classe", a "história", o "capital", a "burguesia", o "proletariado", o "Estado", a "economia", a "política", o "poder", sempre apelando para termos genéricos, buscando a todo custo (o que inclui a fraude e a mentira) sistematizar seu pensamento, integrá-lo num todo fechado, não querendo encarar a concretude individual e singular dos problemas humanos, que sempre escapam dos sistemas rígidos de idéias, com sua coesão artificial e falaciosa. Mas porque agem assim? Esses filhos da puta comunistas, anarquistas, socialistas, não querem conhecer a realidade, querem transformá-la, querem subverter a realidade, o negócio dessa gente é subverter, perverter, destruir, minar, corroer, corromper o real. Por isso a mentira deve se tornar sistemática. Leiam o livro ou vejam o filme 1984, e vocês irão entender do que eu estou falando.
A Universidade, escrita assim com maiúscula, não passa de uma Idéia, uma proposta, uma ideação, um conceito. Dizer, universalmente, o que seja a Universidade, é construir conceitualmente a Universidade. É forjar seu conceito, e isso depende muito mais de imaginação do que de crítica a esta ou aquela instituição particular.
Por exemplo, se eu busco dizer o que é "A Educação", nesse modo universdal de enunciação, não posso reduzir essa universalidade, que é construção ideal, a um caso particular de processo educativo. De outro lado, se eu analiso um caso particular de escola, de pedagogia ou de universidade, não posso reduzir isso ao Universal, e ainda pretender identificar o universal com o particular.
Um homem não é a espécie humana inteira. Indivíduo e Espécie são termos irredutíveis, embora mutuamente relacionados.
Entretanto, como todos nós sabemos, o comunismo, o terrorismo anarquista, o socialismo, o nazismo, e outras tantas porcarias que assolam a civilização ocidental desde o séc. XVIII, não querem saber de indivíduio, de singularidade, de particularidade. O anarquista, quando fala de indivíduo, nunca é este ou aquele indivíduo real ou concreto, mas sempre o Indivíduo universal, genérico, Absoluto.
A esquerda é obcecada com o Absoluto, mas como ela nega, em 99% dos casos, o único Absoluto que realmente existe - DEUS -, então ela se torna uma máquina de falsificação da realidade.
Louvado seja Nosso Senhor!
Cristo Rei governador...
Bendito seja o Dia do Juízo!
Aiaiaiaiai....sempre acaba nesse papinho de Deus e a força Divina...
é um encerramento de conversa tão besta quanto dizer que tudo é relativo.....
Ah, sem esquecer a famosa crítica ao "esquerdismo".
Não se esqueça que chamar todos que aqui escrevem ou são citados de "esquerdistas", "anarquistas" e afins, também reduzir a analíse a um só ponto de vista.
Só falta você escrever "Esquerdistas" com letra maiúscula para que todas as críticas feitas por você acima se voltem contra sua pessoa.....
Vamos, ao menos, discutir as idéias aqui propostas de uma maneira mais humana, sem tantos rótulos...
Isso sem falar que a universidade que você frequentou é o maior exemplo de formação de classes e de elitismo do conhecimento....
Uma faculdade que só aceita quem tem dinheiro.
Aliás, você tem dinheiro?
Ou já abdicou dos valores materiais em troca de uma vida mais Cristã?
Ass. Nirso (que não consegue ver um hipócrita e ficar quieto)
A Esquerda, com maiúscula, não é uma pessoa, não é um sujeito individual, mas um conjunto de idéias e práticas...
Caso você não tenha percebido ainda, o que eu faço aqui é justamente criticar esse conjunto de idéias e práticas...
Não estou falando mal das pessoas que coordenam esse blog nem da vida privada de fulano ou sicrano...
Minha crítica visa um determinado projeto político e cultural, a dita "revolução internacional para abolir o capitalismo", que só no século passado deixou mais de 100 milhões de mortos...
É contra esse genocídio que eu estou abrindo a boca... é contra a burrice ingênua que defende essa baboseira de Revolução comunista, anarquista, anti-capitalista, contracultural, anti-cristã, contra a família, contra a pátria, contra o estado, contra Deus, contra a ordem moral, contra, em última instância, a Civilização Ocidental.
Sim, eu tenho um pouco de dinheiro, muito pouco...
E essa tua pergunta é feita com uma malícia, uma perversidade, uma real hipocrisia sem medida...
O que você pretende sugerir, que ter dinheiro é Mal ou que eu não sou humano o suficiente porque tenho um pouco de dinheiro?
e se por acaso eu fosse rico, tivesse em meu nome, como propriedade privada, uma fortuna de milhões, isso seria uma prova de que eu não presto, que tenho que morrer na tua revolução, que tenho que ser esfaqueado pelo proletariado ensandecido?
Vai tomar no cu Nirso, tu é um safado, um bosta!
Enfia o retrato do Che Guevara no rabo.......
Teologia da Libertação a puta que pariu..... comigo não tem mais "diálogo com marxismo".....
A Esquerda, a utopia revolucionária, é inimiga da Igreja, e eu escolho Jesus Cristo e a Bíblia.....
Foda-se o manifesto comunista; foda-se o anarquismo; foda-se o socialismo; foda-se o nazismo; e também foda-se o capitalismo (eu não sou liberal e não dedico a minha existência a acumular capital; quem me conhece sabe que passo meus dias meditando sobre assuntos filosóficos, pornográficos, cinematográficos, antropológicos, psicodélicos, e não estou nem um pouco interessado em me tornar um burguês).
Eu já fiz a minha escolha do que quero ser na vida.....
Viva o mestre Jesus Cristo!
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